Água doce · Salminus brasiliensis
Como pescar dourado: guia da espécie
O dourado é pescado nas bacias do Paraná, Paraguai, Uruguai e São Francisco, com os melhores resultados entre o fim da cheia e a seca, quando a água baixa e o peixe se concentra em corredeiras, cabeceiras de poço e barrancos. A pescaria é de arremesso, com isca artificial de superfície ou meia-água, ou com isca viva derivando na correnteza. Antes de sair, confirme a norma do estado: em parte da bacia do Paraguai a captura é proibida ou limitada a pesque-e-solte.
- Nome científico
- Salminus brasiliensis
- Também chamado de
- dourado-do-rio, pirajuba
- Porte
- Comum de 3 a 10 kg; exemplares acima de 15 kg são troféu.
- Briga
- Dificuldade
- Destinos declarados
- 11 no diretório
Dourado: o que define a espécie
O dourado, Salminus brasiliensis, é um caçador de correnteza. Diferente dos bagres de couro, que esperam a isca passar no fundo, ele persegue cardume em água corrente e ataca na superfície ou logo abaixo dela. É esse comportamento que faz dele o alvo preferido de quem pesca com isca artificial.
A dentição é pequena e numerosa, e serra linha de náilon em poucos segundos de briga. Por isso todo dourado pescado com artificial chega ao barco por um encastoado, de aço ou de fluorocarbono pesado. Quem dispensa o encastoado perde o peixe e deixa a isca na boca dele.
O que separa o dourado dos outros peixes brasileiros de arremesso é o salto. Fisgado, ele sai da água e sacode a cabeça no ar, e é nesse momento que a maior parte das perdas acontece. Manter a vara baixa e a linha tensa durante o salto é a diferença entre a foto e a história.
O porte comum fica entre três e dez quilos. Exemplares acima de quinze são considerados troféu e vêm quase sempre de trechos de rio livre, não de reservatório, porque a espécie depende de correnteza para se reproduzir.
Onde encontrar dourados
O dourado ocupa quatro bacias, e a pescaria muda em cada uma. No rio Paraguai, de Cáceres a Corumbá, a pesca acontece em barrancos e bocas de baía, com apoio de barco-hotel e voadeira. Na bacia do Paraná, o peixe se concentra abaixo das corredeiras e nos trechos livres entre reservatórios.
No São Francisco, de Pirapora a Petrolina, a espécie divide o rio com o pintado e a curimba, e a pescaria tradicional é de barranco. No Uruguai, no extremo sul, a temporada é mais curta e depende da temperatura da água.
A diferença entre esses ambientes não é detalhe de roteiro: ela muda a isca, o peso da linha e o horário de sair. Cada destino tem página própria com esse recorte, porque a mesma técnica não funciona nos quatro.
Melhor época
A janela boa começa quando a cheia termina de baixar e vai até a seca firmar. Com o nível caindo, o peixe que estava espalhado na planície alagada volta para o canal e se posiciona em pontos previsíveis, onde a correnteza entrega comida.
A piracema fecha a pesca em todas as bacias, em períodos definidos por norma estadual e federal que variam de ano para ano. Nenhuma viagem deve ser marcada sem conferir o calendário vigente do estado de destino.
No dia, o dourado responde melhor na primeira e na última hora de luz. Sol alto empurra o peixe para a sombra do barranco e para a água mais funda, e a pescaria passa a exigir isca de meia-água em vez de superfície.
Como pescar dourado com isca artificial
A vara padrão é de ação média-pesada, entre vinte e trinta libras, com carretilha de perfil baixo e capacidade para cem metros de multifilamento. Linha mais leve que isso não segura a primeira arrancada em correnteza forte.
Entre as iscas artificiais, a hélice de superfície é a mais espetacular, porque o ataque acontece à vista. A meia-água rende mais em dia de sol alto, e o jig resolve quando o peixe está fundo. A colher oscilante continua funcionando e é a opção mais barata para quem está começando.
Com isca natural, a tuvira viva é a preferida no Pantanal, e o lambari resolve nas bacias do Paraná e do São Francisco. A isca viva é apresentada derivando na correnteza, sem chumbo pesado, para descer natural.
O encastoado é obrigatório em qualquer montagem. Trinta centímetros de aço fino, ou fluorocarbono de oitenta libras para quem quer menos visibilidade na água clara. Anzol simples em lugar de garateia facilita a soltura sem machucar.
O que o dourado come
Iscas naturais que funcionam: tuvira, lambari vivo, piava, sardinha. Entre as artificiais: hélice de superfície, meia-água, jig, colher oscilante, streamer.
Erros que custam o peixe
- Pescar sem encastoado é o erro que mais custa peixe. A linha parece intacta até o ataque, e some no primeiro contato com a dentição.
- Ferrar cedo demais é o segundo. O dourado bate na isca para atordoar antes de engolir, e quem ferra no primeiro toque tira a isca da boca dele. Esperar o peso carregar a linha resolve.
- Levantar a vara durante o salto solta a tensão e devolve a isca. A vara fica baixa, apontada para o peixe, e o freio faz o trabalho.
- Marcar viagem sem conferir a norma estadual é o erro mais caro de todos, porque em parte da bacia do Paraguai a captura do dourado está proibida ou restrita a soltura, e a fiscalização é ativa.