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Iscas e equipamento 6 min de leitura 1185 palavras

Os tipos de isca artificial e quando usar cada um

Os tipos de isca artificial se organizam pela profundidade em que trabalham, e não pela aparência. São seis famílias: superfície, que provoca ataque à vista; meia-água, que mergulha até uma profundidade fixa; jig, que desce até o fundo; soft bait, de plástico macio e anti-enrosco; colher, que oscila ou gira; e a saia de corrico, para arrasto oceânico. A hora do dia e o tipo de fundo decidem qual família usar.

Redação WeFish Equipe editorial
Os tipos de isca artificial e quando usar cada um, no WeFish
Imagem provisória do protótipo, por 雙 film no Unsplash. Não retrata o assunto do artigo.

A parede de iscas de uma loja de pesca é projetada para confundir. São centenas de modelos, cores e nomes de fabricante, e quem está começando conclui que precisa conhecer todos. Não precisa. Existem seis famílias, e dentro de cada uma a diferença entre modelos é menor do que parece.

O critério que organiza tudo é um só: em que profundidade a isca trabalha. Peixe está numa camada de água específica em cada hora do dia, e a isca certa é a que passa naquela camada. Cor, marca e formato vêm muito depois disso.

As seis famílias de tipos de isca artificial

Organizadas por onde trabalham
FamíliaProfundidadeQuando usarDificuldade
Superfície: hélice, zara, popperNa lâmina d'águaPrimeira e última hora de luz, água calmaMédia, exige cadência
Meia-água: plug com babadoDe meio a três metrosSol subindo, peixe descendo, água abertaFácil
Jig e chumbada com saiaFundoSol alto, pedral, estrutura submersaMédia
Soft bait de plástico macioQualquer, conforme a montagemVegetação fechada, e quando nada mais funcionaMédia
Colher oscilante e giratóriaMeia-água, conforme a velocidadePrimeira artificial, água correnteFácil
Saia de corricoSuperfície, arrastada por barcoAlto-mar, peixe pelágicoExige embarcação

A coluna de dificuldade é sobre o trabalho da isca, não sobre o preço. A colher e o plug de meia-água trabalham sozinhos no recolhimento constante, e por isso são os dois lugares certos para começar.

Superfície: a família do espetáculo

A hélice tem pás que giram e fazem barulho constante. A zara não tem nada: ela depende do pescador dar puxadas curtas para andar em ziguezague, o chamado walking the dog. O popper tem a boca côncava e joga água para frente a cada puxada seca.

As três produzem o ataque à vista, que é a parte mais memorável da pesca com artificial. E as três só funcionam de verdade nas duas janelas de luz fraca do dia. Insistir nelas ao meio-dia é o erro mais comum de quem comprou a primeira caixa.

Meia-água: a família que mais pega peixe

O plug de meia-água tem uma pá de plástico na frente, o babado, que força a isca para baixo no recolhimento. O tamanho e o ângulo do babado determinam até onde ela desce, e essa profundidade costuma vir escrita na embalagem.

É a família mais produtiva do ano inteiro, justamente porque cobre a faixa onde o peixe passa a maior parte do tempo. Ela não tem o espetáculo da superfície e é a que enche mais barco.

Jig e soft bait: a família do fundo e da vegetação

O jig é uma cabeça de chumbo com anzol e saia, e desce até o fundo. Trabalha-se deixando cair, levantando em tranco curto e deixando cair de novo, e o ataque quase sempre acontece na descida.

O soft bait é de plástico macio e o anzol pode ficar embutido no corpo, o que o torna anti-enrosco. Ele entra em camalote, aguapé e galhada, onde nenhuma outra isca entra, e é por isso que costuma salvar o dia quando a superfície parou de funcionar.

O que comprar primeiro, e em que ordem

Uma caixa de artificial cresce sozinha e vira uma coleção de coisas que nunca saem. A ordem abaixo cobre quase toda situação de água doce brasileira com pouca coisa.

As cinco primeiras iscas, nesta ordem

  1. Uma colher oscilante média

    Trabalha sozinha, arremessa longe e custa pouco. É onde a maior parte dos pescadores brasileiros pegou o primeiro peixe de artificial.

  2. Um plug de meia-água de dois metros

    A faixa mais produtiva do ano. Também trabalha sozinho no recolhimento constante, então não exige técnica nova.

  3. Uma hélice de superfície

    Para as duas janelas de luz. É o que transforma a pescaria em memória, e o que faz a pessoa voltar.

  4. Dois ou três soft baits anti-enrosco

    Para a vegetação, onde o peixe está justamente porque ninguém consegue pescar. Baratos, e você não perde a cada galho.

  5. Um jig de fundo

    Para o sol alto e o pedral. Fecha o conjunto cobrindo a camada que as outras quatro não alcançam.

O encastoado, que vale para todas as famílias

Qualquer artificial usada em espécie com dentição pede encastoado: dourado, traíra, trairão, cachorra, anchova e cavala serram a linha em segundos de briga. Trinta centímetros de aço fino em água barrenta, fluorocarbono pesado em água clara. Sem isso, você perde a isca e deixa o anzol no peixe.

Perguntas

Dúvidas sobre tipos de isca artificial

Qual tipo de isca artificial comprar primeiro?

A colher oscilante média, entre sete e quatorze gramas. Ela trabalha sozinha no recolhimento constante, arremessa longe mesmo com equipamento simples e custa pouco. O passo seguinte é um plug de meia-água de dois metros, que cobre a faixa onde o peixe passa a maior parte do tempo.

Qual a diferença entre plug e jig?

O plug é um corpo rígido que flutua ou suspende e mergulha por causa do babado na frente, trabalhando numa profundidade fixa durante o recolhimento. O jig é uma cabeça de chumbo que afunda até o fundo e é trabalhada em trancos verticais, com o ataque acontecendo na descida.

Cor de isca artificial faz diferença?

Faz, e menos do que a indústria sugere. Em água clara, padrões naturais rendem mais; em água barrenta, contraste alto e som importam mais que cor. O consenso entre guias é que profundidade de trabalho e cadência de recolhimento pesam muito mais, e que a cor vira critério só quando o peixe está recusando tudo.

Isca artificial funciona em pesqueiro?

Nos lagos com espécie carnívora, sim: traíra, tucunaré, pintado e pirarara atacam artificial. Nos lagos de tilápia, pacu e tambaqui, não, porque são peixes onívoros que comem por cheiro. Vale conferir também o regulamento: alguns pesqueiros proíbem artificial com garateia para reduzir dano ao peixe.

Transparência

De onde veio cada informação deste artigo

Cada linha diz o que aquela fonte sustenta no texto e quando foi consultada. Quando a base é prática de campo e não documento, está escrito que é.

  1. Prática de campo

    Prática corrente de pesca com isca artificial no Brasil

    A organização por profundidade de trabalho e a ordem de compra sugerida.

    Consultada em

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